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O Tao do Gnunes

Tao do Gnunes é o blog do Guilherme Nunes que contará com assuntos que percorrem o caminho (Tao) do seu cotidiano. Publicidade, redação, bodyboard, fotografia, viagens, internet, entretenimentos, textos em geral, além de suas opiniões, seus sonhos e sua vida, estarão por aqui. Atualmente, Nunes trabalha na Criação do Submarino S/A, uma empresa do grupo B2W, e tem como hobby a fotografia, juntamente com o bodyboard.

Experiência...

Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: "Você tem experiência?"

A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e acima de tudo por sua alma .

REDAÇÃO VENCEDORA:

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.

Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.

Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.

Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda.

Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.

Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela metade.

Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: "Qual sua experiência?".

Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência...
Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:

"Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?"

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postado por Guilherme Nunes | 26/03/2007 @ 18:53

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Por acaso, mais uma do Nizan

Texto do publicitário Nizan Guanaes, escrito para uma solenidade de formatura da turma da FAAP, da qual foi paraninfo, e publicado em "Sucesso & Dinheiro".

DISCURSO DE PARANINFO
"Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns.
Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que dinheiro virá como conseqüência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser, nem um grande profissional, nem um grande canalha.

Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham, porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi
construído antes, na alma.

A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse:
-"Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo."
E ela respondeu:
- "Eu também não, meu filho."

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário.
Digo apenas que pensar e realizar, tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: Pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento,não chega a viver
como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguaçu.

Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: "Seja quente ou seja frio não seja morno que eu te vomito". É exatamente isso que está escrito na carta de Laudicéia: Seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito, ou seja, é preferível o erro à omissão, o fracasso ao tédio, o
escândalo ao vazio. Já li grandes livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso... Colabore com seu biógrafo.

Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tenha consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si, uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.

Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse?, eu sabia! Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele
faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa e bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falaram. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 18 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio e constrói prodígios. O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses, que trabalham de sol a sol, construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta.
Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, pois só o trabalho leva a conhecer pessoas e mundos
que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso".

Nizan Guanaes


Deve ser bom se formar ouvindo isso, né?

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postado por Guilherme Nunes | 22/03/2007 @ 20:04

1 Comentários  

Poucas palavras, muito sentido.

Outro dia, li no site do CCRJ (Clube de Criação do Rio de Janeiro) uma entrevista com um "novo redator da África".
Na verdade, nem li toda entrevista, mas a última resposta, aonde o entrevistado citava o Nizan Guanaes e fala sobre suas expectativas na África, é muito legal.

CCRJ - Qual a sua expectativa na África?

Fábio Seidl - Quando eu estava na faculdade, a primeira palestra que assisti foi com o Nizan. Ele tinha sido um dos caras que serviram de argumento para eu escolher essa profissão e foi contar como fez a campanha da Antarctica para a Copa do Mundo, com a Daniela Mercury e o Ray Charles em San Francisco.
Na hora das perguntas, pedi o microfone e perguntei como ele tinha conseguido convencer todo mundo a gastar aquele dinheirão e se ele não tinha medo de que alguma coisa pudesse dar errado numa produção daquele tamanho. Bom, né? Comecei na profissão e perguntando besteira pro Nizan.

Ele me deu uma resposta que eu não esqueci mais:
“Quer um conselho? Desconfie de quem diz muito que ‘não dá’. Pessoas que dizem ‘não dá’ não servem para essa profissão.”

Eu já me formei, já segui a minha carreira, já fiz um monte de coisas, já fui para a Europa, já voltei e até hoje, o Nizan é um dos melhores no que faz e continua sendo uma referência para mim, para quem está aí e para quem ainda está começando. Porque para ele, sempre dá.

A Africa é uma prova disso. É uma referência no Brasil e internacionalmente. E tem um time de criativos espetacular, onde tenho a felicidade de ter vários amigos. E quando tem muita gente boa junta tende a ser contagioso, todo mundo ganha.

Então, para não pensarem que estou entrando em contradição quando publiquei o post "Não sei", minha opinião é exatamente essa aí:
não devemos falar "Não sei", assim como não falar "Não dá"!

São essas poucas palavras, com muito embasamento e contexto, que vão mudando a percepção das pessoas...

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postado por Guilherme Nunes | 06/03/2007 @ 19:31

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